AS RAÍZES DO CLUBE NAVAL DE SANTA MARIA
As atividades náuticas na ilha de Santa Maria foram sempre assumidas pelos seus habitantes, pois sendo ilhéus, o seu contacto e relacionamento com o mar, como via de comunicação e fator de subsistência, vem naturalmente, desde o povoamento. A partir da primeira parte do século XX a emergente industria da pesca à baleia, fábricas conserveiras, o aparecimento do escafandro autónomo, caça submarina, windsurf, exploração de algas marinhas, pesca amadora, vela e canoagem… fortaleceram esta vocação.
Comissão Instaladora
Complementando o sentido a essa ligação, na Primavera de 1988, Armando Manuel de Fraga Borges Pacheco e Fernando José da Silva Dutra aliando, por um lado, um velho anseio de fundação de um clube naval na ilha e por outro a necessidade de dar o devido enquadramento à atividade da vela de competição, decidiram unir esforços para a criação de um Clube Naval. Enquanto o primeiro, iria organizar a formalização do Clube como instituição de carácter associativo, incumbiu-se de congregar os diversos interesses nas atividades náuticas e recrutar futuros associados, o segundo, dinamizaria a vertente da vela. Posteriormente abordado, José Manuel de Sousa Tavares, assumiu a organização de uma secção de mergulho como atividade promissora no futuro Clube, completando-se assim os três elementos da Comissão Instaladora.
Escritura Pública
A 15 de Março 1988, pelo Registo Nacional de Pessoas Coletivas foi emitido o certificado da denominação do Clube Naval de Santa Maria, com sede social em Vila do Porto e a sua natureza jurídica como associação, com o número 512023972. Por escritura Pública, no dia 27 de Junho de 1988, perante o Notário do Cartório Notarial de Vila do Porto, dezasseis outorgantes constituem a Associação Clube Naval de Santa Maria, “com o fim de desenvolver as atividades náuticas e a vela em particular promovendo a sua prática e expansão na Ilha de Santa Maria e proporcionando todos os meios que permitam levar o nome do clube e da ilha, naturalmente o mais longe possível”.
Primeira Assembleia Geral do Clube
Em primeira Assembleia Geral a 22 de Julho de 1988, tendo como ordem de trabalhos, um breve historial do Clube, contactos com Entidades Governamentais, contas da Comissão Instaladora, estabelecimento de quotas e jóia, eleição de Corpos Gerentes e plano de atividades, compareceram nove associados.
Na falta de Sócios suficientes para a constituição de Corpos Gerentes conforme previsto na Lei, deliberou-se constituir uma Comissão Administrativa composta por cinco elementos, sendo: Presidente Armando Pacheco, Vice-Presidente José Dutra, Secretário Álvaro Antunes, Tesoureiro Rui Costa e Vogal na função de Presidente da mesa da Assembleia Geral José Manuel Tavares;
Estipulou-se uma Joia de inscrição em dois mil e quinhentos escudos e as quotas mensais no valor de cento e cinquenta escudos;
Aquisição de terrenos e projeto para a construção da Sede Social no cais de Vila do Porto;
Promessa da Delegação de desportos de Santa Maria a este clube para a cedência de catorze barcos de vela de recreio e um barco de apoio;
Protocolo de reciprocidade e usufruto entre o Clube naval e o Centro Português de atividades sub-aquáticas (CPAS);
Estavam inscritos no Clube Naval de Santa Maria quarenta associados.
Por protocolo firmado entre a Câmara Municipal de Vila do Porto e o Clube naval a 27 de Maio de 1990, foi cedido a título de empréstimo e por um período de quatro anos, o rés-do-chão da “antiga Casa da Guarda” existente no Forte de São Brás de Vila do Porto, servindo este edifício como a primeira Sede Social. Nesta mesma data foi também protocolada a cedência pela Edilidade de um armazém sito no lugar do Aeroporto, para funcionamento da secção de mergulho deste Clube.
Primeiras Atividades
Desde logo o CNSM espelhou a capacidade lúdica e desportiva da sociedade em que estava inserido, organizando cursos de vela e mergulho, promovendo e organizando eventos desportivos regionais e inter-egionais, provas de corrico de barco, provas de pesca de pedra, exposições de fotografia submarina, apoio à investigação científica, vela de competição, estudo e compilação de propostas de implantação da futura marina de Vila do Porto, deixando sempre nas suas atividades uma marca indelével.
Num fundo Azul, representando o mar que nos rodeia, emerge estilizada uma rosa-dos-ventos, reforçando o seu simbolismo de orientação com a utilização de dois dos seus pontos cardeais, o Norte e o Sul devidamente inseridos no nome do Clube, estruturam e harmonizam a utilização de ambos os elementos, favorecendo a sua complementaridade.
Juntando a embarcação de vela na bandeira do Clube, faz-se sobressair o espírito herdado dos descobrimentos portugueses à náutica de recreio contemporânea.
Texto da autoria de Armando Pacheco

